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Hoje sim fumei de mais

ao meu pai

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Hoje sim fumei de mais

24
Out21

Okapi

Frederico

Às tantas estávamos na sala da senhoria - sempre no cuidado para ela não entrar de supetão - quando o meu amigo se apressou a tirar um papel com um texto imprimido para entregar a um professor. André estava como que entregue aos bichos, juntando as mãos atrás das costas. O texto mais ou menos resumido rezava a sua insatisfação para com a matéria leccionada. Mesmo eu, depois de escutar aquelas palavras frugrais, não deixava de pensar no meu próprio futuro em Aveiro. Era um curso logisticamente pobre - senão para desenhar pinhas e búzio todo o ano lectivo - sem conteúdo programático às novas tecnologias. Movimentos Artísticos Contemporâneos, sim. Quando era hora de aulinha, estava eu pronto para ouvir o professor. Mas posto isto, e já que os meus amigos esperavam algo de mim para os receber, estirei uma folha do caderno onde eu próprio escrevi uma novena.

Bom dia pessoas que adoram os abraços. Ó meu deus, os abraços! Os abraços fraternos entre os amigos da velha cepa; abraços mesmo onde a comicidade. Enfim, abraços. Mesmo aquele abraço prenhe de amor nos braços descarnados da velha mãe, que no fim tem o sentido claro de unção; um abraço que vem do ar misticamente para resolver um velho mal-entendido. Um qualquer abraço basta para nos sentirmos achados.

- Adoramos.
- Escrevi umas destas noites. E lá para fim qualquer coisa sobre abraços. Não falta o poema sobre uma noite de amor fogoso com uma mulher cujo título é «Portas a Bater, Não». - Com isto os meus amigos não coibiram - Mas não vou ler, por favor.

O sol desceu para dar lugar à noite de regressos e embarques através das luzes dos comboios que projectavam ao largo. Estávamos diante do velho gira-discos, tentando queimar tempo a ouvir as bandas que tanto gostávamos. Eles entretanto abalaram. Neste somenos, senti um cheiro a queimado. Acontece que poupara um tempo antes de sair para engomar uma t-shirt. Era apenas uma t-shirt que convinha ser passada a ferro. Bem, o ferro de engomar estava a queimar o tecido do sofá. Resumindo, o sofá foi mandado arranjar no dia seguinte num estofador. E para completo assombro da senhoria, não havia sofá. Nada. Rigorosamente nada. Apenas o televisor e uma estante. Com o susto, soltou um grito de dor. 

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