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Hoje sim fumei de mais

ao meu pai

ao meu pai

Hoje sim fumei de mais

01
Nov21

Comédia num tempo

Frederico

É com saudade que recordo a Universidade de Aveiro e os meus amigos de então. Regozijo, mesmo. Pior que hoje seja noite. Sentimentalismo à parte: diverti-me. Para ser completamente verdadeiro: eu estava no curso errado. Só continuei porque estava apaixonado pela cidade e os meus colegas. E porque afinal Movimentos Artísticos Contemporâneos me preenchia. Tratava-se de uma Disciplina sobre o Modernismo. Às tantas havia alguém que insinuava qualquer coisa sobre a Sagração da Primavera. 

Eu adorava é a cidade. Muito mais sóbria e asséptica que Braga em todos os aspectos. Eu palmilhei Aveiro; e não raras vezes afastava-me na minha bicicleta alaranjada para passear e ver de perto as casas perfiladas. Sim, eu estava praticamente a viandar. Mas hey, vi Tuxedomoon ao vivo no Teatro Aveirense.

Uma altura, estando com uns colegas, contaram-me a anedota dos Dreads. Pelos vistos estava a ocorrer uma festa clandestina para uns dreads cabeludos apreciadores de heavy metal. Às tantas, entra um homem sem cabelo. «Hey! Tu não podes estar aqui. Isto é para dreads cabeludos apenas.»
- Calma - disse o homem sem cabelo, despertando a braguilha. - Agente infiltrado! 

É claro que o pessoal entre nós riu sobremaneira. 

- Porque é a banda dEUS
27
Out21

Não haja dúvida

Frederico

Estou assim a modos que. Acontece que uns alunos de NTC de Aveiro convidaram-me para uma curta. Aquilo era deveras divertido. Tratava-se de gravar uma simples conversa de café entre amigos. Porém, os meus colegas gravaram as nossas vozes à parte. Estão a imaginar o estapafúrdio: a conversa entre amigos era intercalada de vozes de escárnio e mal-dizer que se sobrepunham nos lábios dos intervenientes. Lembro-me que a voz com sotaque do João sobrepunha fielmente os meus lábios. Às tantas o Milk trocou a papelada do enredo (ainda que as frases, avulsas, não se destacassem por nenhuma observação em particular.) «Não haja dúvida», dizia uma voz de sacripanta assimilada no SoundForge por cima dos lábios do João. Mais tarde ninguém entre nós compareceu à estreia no ecrã do auditório; eu e um amigo apenas fomos espreitar pela porta entreaberta para ver como seria a reacção: pelos vistos, na plateia riam-se – ainda por cima porque eu era o mais bonito do grupo e porque afinal a voz de João sobrepunha-se aos meus lábios fofos. Foi divertido; no entanto, não sei o paradeiro desse vídeo, pelo que estou assim a modos que.

24
Out21

Okapi

Frederico

Às tantas estávamos na sala da senhoria - sempre no cuidado para ela não entrar de supetão - quando o meu amigo se apressou a tirar um papel com um texto imprimido para entregar a um professor. André estava como que entregue aos bichos, juntando as mãos atrás das costas. O texto mais ou menos resumido rezava a sua insatisfação para com a matéria leccionada. Mesmo eu, depois de escutar aquelas palavras frugrais, não deixava de pensar no meu próprio futuro em Aveiro. Era um curso logisticamente pobre - senão para desenhar pinhas e búzio todo o ano lectivo - sem conteúdo programático às novas tecnologias. Movimentos Artísticos Contemporâneos, sim. Quando era hora de aulinha, estava eu pronto para ouvir o professor. Mas posto isto, e já que os meus amigos esperavam algo de mim para os receber, estirei uma folha do caderno onde eu próprio escrevi uma novena.

Bom dia pessoas que adoram os abraços. Ó meu deus, os abraços! Os abraços fraternos entre os amigos da velha cepa; abraços mesmo onde a comicidade. Enfim, abraços. Mesmo aquele abraço prenhe de amor nos braços descarnados da velha mãe, que no fim tem o sentido claro de unção; um abraço que vem do ar misticamente para resolver um velho mal-entendido. Um qualquer abraço basta para nos sentirmos achados.

- Adoramos.
- Escrevi umas destas noites. E lá para fim qualquer coisa sobre abraços. Não falta o poema sobre uma noite de amor fogoso com uma mulher cujo título é «Portas a Bater, Não». - Com isto os meus amigos não coibiram - Mas não vou ler, por favor.

O sol desceu para dar lugar à noite de regressos e embarques através das luzes dos comboios que projectavam ao largo. Estávamos diante do velho gira-discos, tentando queimar tempo a ouvir as bandas que tanto gostávamos. Eles entretanto abalaram. Neste somenos, senti um cheiro a queimado. Acontece que poupara um tempo antes de sair para engomar uma t-shirt. Era apenas uma t-shirt que convinha ser passada a ferro. Bem, o ferro de engomar estava a queimar o tecido do sofá. Resumindo, o sofá foi mandado arranjar no dia seguinte num estofador. E para completo assombro da senhoria, não havia sofá. Nada. Rigorosamente nada. Apenas o televisor e uma estante. Com o susto, soltou um grito de dor. 

18
Out21

História

Frederico

Olá, piolhinhos. Felicidade maior foi quando acedi em Design ministrado pela Universidade de Aveiro. Primeira escolha. Depois foi um perfeito descambar; não tive aproveitamento escolar, e como tal voltei para Braga. Não havia meios de continuar, por assim dizer. Criei imensas expectativas para o futuro; de tal forma, que adoeci. Ainda vivi quatro anos em Aveiro na eventualidade de prosseguir; nada. Sentia-me péssimo e deprimido. Fui chamado a uma psicóloga, que nada garantiu quando ao meu progresso. Entretanto, fiz uma Mudança de Curso em História da Arte na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Eu estava bem mais disposto. Todavia, teria de fazer o trajecto entre Braga e Porto todos os dias... Cansei definitivamente e deixei de estudar. Pronto, eis a história da caroxa. 

Mas, e quando eu estava no quarto à 5 da manhã a tentar vencer a ansiedade em apanhar um comboio para o Porto às 7h devido a um exame de História às 8h? Pior só mesmo quando o autocarro bateu na porta aberta de um carro na berma. Tivemos que descer até aos Clérigos. Eu no meio deles, muito só.

 

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09
Out21

Oliveira

Frederico

Pai, estive em Aveiro.

Obrigado ao senhor que me emprestou 10€ após ter perdido a carteira em Aveiro, pois teria dormido ao relento. Thank you. Com os melhores cumprimentos.

Se querem ver eu, já exausto, entrar numa carruagem às escuras, a meio da noite, e apenas o som das máquinas... Quando dei por mim, adormeci. Para meu espanto haviam passado 2 horas de sono no banco agarrado à minha mochila.
- Jovem, você não pode estar aqui - disse o homem das máquinas no escuro da carruagem. - E daí, pode. Deixe-se estar à vontade... 

Como se não bastasse fui ao Aveiro Digital. Já ninguém põe lá os pés. Decidi enviar um mail: «Estou em Aveiro, venham ter comigo ao Forum» No Forum, fui ao MacDonald's; caprichei, mas eles não apareceram. Foi então que dei conta, na estação, que havia perdido a carteira.

Entretanto, estive no Mercado Negro. Entrei a ver se encontrava alguém do meu tempo; ninguém. Eu estava absorto assim que vi as gémeas com cara de gato. Perguntei pelo paradeiro da Cátia, "uma rapariga com um pequeno astigmatismo (...)"

Por essa altura já estava em mim que havia perdido a carteira. Fui portanto a casa onde eu supunha que a Cátia vivia. Fui interpelado por um homem no intercomunicador: «Não, não vive aqui nenhuma Cátia»

Quando cheguei em Braga, deparei-me com o Monstro das Bolachas em Maximinos: "Tens um cigarro?"
- Agora não, Zeca. Depois...

Foi a primeira vez que vi a velha após 8 anos.

 

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